Por Fernanda Oliveira
Mudei de Curitiba para a região de Atlanta , no Estado da Georgia, nos Estados Unidos no final de 2018. O motivo da mudança foi minha transferência de emprego. Comigo vieram o meu marido e meus 3 cachorros. Essa não uma história sobre meu Green Card por casamento, pois meu marido é brasileiro, mesmo assim gostaria de compartilhar minha experiência da nossa mudança ao trazer nossos cachorros. Acredito que alguém venha a se identificar ou ser ajudado com a nossa história.
Após a confirmação da mudança meu marido e eu definimos o que venderíamos, o que deixaríamos e o que traríamos. Basicamente acabamos vindo com 5 malas de roupas e itens pessoais e 3 cachorros: Mino, Meg e Molly. O Mino e a Meg da raça Yorkshire, portanto pequenos, e a Molly uma vira-lata de médio porte.
O primeiro obstáculo que encontramos foi o julgamento familiar: “como assim gastar dinheiro para levar os cachorros!?” ou então “Ah, mas vocês não vão levar a Molly, não é? Ela é só uma vira-lata”. Mas gente, como que deixa parte da família para trás? O Mino estava com quase 11 anos, a Meg tinha quase 10 e a Molly havia completado 5 anos.
Tomada a decisão começamos a pesquisar o que era necessário para trazê-los para os Estados Unidos em termos de documentação e o custo disso com as empresas transportadoras, uma vez que a companhia aérea com que viríamos não transportava animais na área de bagagem (um beijo Delta!). Antes que me perguntem porque não trouxemos os cachorros na cabine informo que a Molly não cabia na bolsa de transporte e não achamos justo trazer conosco o Mino e a Meg e despachar a Molly. A mudança em si já poderia ser traumática e se a Molly estivesse sozinha, quem ficaria traumatizada seria eu! Sim, eu amo meus animais! – Me Julguem!
Voltando às pesquisas: encontramos uma empresa que tinha boas avaliações e bons testemunhos, assim resolvemos contatá-los, acho que fiz 2 orçamentos na época e o valor que encontramos foi de R$ 2.200,00 para os três. Achamos justo e contratamos a ZoomPet. O contato com eles foi super legal e tranquilo nos ajudaram em tudo, desde acessar aos documentos necessários até calcular o tamanho das caixas de transporte. As caixas de transporte devem ser aprovadas para o embarque internacional, então se preparem porque é muito caro!
As informações solicitadas foram basicamente: Aeroporto de Origem, Aeroporto de Destino, Endereço de Entrega no Destino: (Caso Necessário), Telefone para contato, Dados do animal (Espécie, Raça, Sexo, Idade, Peso), se fazem tratamento contínuo com algum medicamento e se a vacina antirrábica tem mais de 30 dias. Nossa sorte foi ter iniciado isso com 2 meses de antecedência da nossa viagem, pois se deixássemos para última hora não teria dado tempo. Também é necessário fornecer uma procuração para a empresa transportadora uma vez que eles não são os donos dos animais.
Durante o processo de responder às perguntas fizemos o Certificado Veterinário Internacional – CVI, um documento emitido pelo Ministério da Agricultura (MAPA) é preciso estar atendo aos prazos, pois apesar do documento estar disponível online ele deve ser enviado para uma unidade do MAPA para avaliação e aprovação, e sabemos como os órgãos publico trabalham não é mesmo? Outro detalhe importante, as informações variam de acordo com o pais e/ou continente para o qual se esta viajando. Nos Estados Unidos era requerido as vacinas regulares, a antirrábica com mais de 30 dias da data da viagem e um atestado de saúde emitido pelo veterinário, com data de 3 a 5 dias da viagem. O certificado CVI é emitido digitalmente com assinatura eletrônica. Depois de aprovado encaminhei para a empresa de transporte, paguei a taxa e comprei as caixas de transporte por conta própria. Tudo estava lindo e tranquilo. E finalmente chegou o dia da nossa viagem …

Os cachorros iriam embarcar antes, afinal a Delta não transportava animais, sendo assim eles viajariam de LATAM/AA. Como eles teriam que fazer uma conexão em São Paulo e outra em Dallas o voo deles sairia bem antes do nosso. 7:30 da manha estava eu e meu pai, que teve toda a paciência do mundo pra me ajudar nesse dia, com 3 caixas de transporte e os cachorros na área de carga da Latam. Os funcionários analisaram os documentos e tudo estava ok!
Quando colocamos os cachorros nas caixas uma delas não foi aprovada! (O que?! Como assim moço?!) Me desesperei por 5 minutos. Respirei, me recompus e comecei a pensar o que eu poderia fazer naquele momento. Havia 2 opções: 1) mudar o voo dos cachorros e eles irem no dia seguinte; 2) sair atrás da caixa de transporte aceita pela companhia aérea.
Peguei meu pai e meus cachorros, entramos no carro e saímos correndo ate a casa do agricultor (muito longe do Aeroporto de Curitiba), para comprar a caixa, esse nesse tempo a loja já estaria aberta quando chegássemos. Tínhamos até as 9:30 horas para retornar e despachar os 3 cachorros Suando frio e passando o cartão de credito chorando (eu já disse que a caixa é cara?! /o/) voltamos correndo pro Aeroporto. Cheguei As 9:25 e o pessoal da Latam não queria aceitar meus cachorros porque o despache estava fechando. Confesso que quase tive um infarto seguido de um chilique. No final deu tudo certo! Eles aceitaram embarcar os “doguinhos”, todas as caixas foram aprovadas e pudemos seguir com a nossa viagem.
Assim, eles partiram antes de nós, pois teriam que fazer uma conexão em São Paulo e outra em Dallas o voo deles saiu bem antes do nosso.
Ficamos bem tranquilos, pois durante todo o tempo a empresa mandava fotos e mensagens sobre como a viagem estava seguindo. Durante a baldeação em São Paulo os cachorros foram alimentados e puderam sair um pouco das caixas. Nós chegamos em Atlanta no dia seguinte pela manha e os cachorros chegariam mais tarde pois o voo deles foi para Dallas-TX e depois seguiria para Atlanta-GA. Foi ótimo, pois deu tempo de alugarmos um carro, bem grande, que coubessem 5 malas enormes, porém os cachorros não caberiam junto com as caixas de transporte e as malas.
Próximo do horário da chegada do voo dos cachorros, voltamos ao Aeroporto para fazer os trâmites alfandegários, passar pela policia americana tem que analisar os documentos dos animais e a AWB (document de transporte da empresa). Mas é claro que o voo dos cachorros atrasou devido a uma forte tempestade. E é claro que ficamos até eles chegarem, as 12:30 am, e é claro que não conseguimos levá-los pra casa porque a aduana já tinha fechado. Nossa, que frustração.
Pedimos para o pessoal da transportadora nos deixarmos ver os cachorros, eles ficaram tão felizes (estou falando dos cachorros) …. mas infelizmente não puderam ir pra casa conosco. O jeito foi seguir o protocolo da empresa: eles pernoitariam num canil autorizado pela aduana e quando estivesse tudo liberado receberíamos uma ligação. Voltamos pra casa depois de mais um dia desgastante. Na manhã seguinte, por volta das 9 horas, recebemos o telefonema e finalmente conseguimos reunir nossa família toda novamente.
Apesar de todos os transtornos e imprevistos, não me arrependo de tê-los trazido. Eles se adaptaram super bem e foram felizes durante todo o tempo que permaneceram conosco. Infelizmente a Meg e o Mino já cumpriram sua missão nesse plano e hoje fazem parte das nossas memorias saudosas. A Molly segue feliz e sonhando em pegar os esquilos.

Essa foi a nossa saga, ou desventuras em série, para trazer nossos filhos de quatro patas para Atlanta/GA. Tudo por conta do amor imenso que temos por essa vira-latinha que mais parece uma capivara, mas que jamais teríamos coragem de deixar para trás.





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