Por Christina Bittencourt
Sempre ouço de muitos amigos e conhecidos sobre o medo que sentem de viajar para fora do Brasil por não falar o idioma, pela dificuldade de passar pela imigração ou por estar num local desconhecido. Com o objetivo de mudar essa ideia que por muitas vezes me assustou vou compartilhar neste post as minhas aventuras nesses últimos 6 anos que tenho viajado para os Estados Unidos e em 2020 para o México, para fazer quarentena por conta da COVID-19, e entrar nos Estados Unidos para o primeiro aniversário da minha netinha.
Chegando nos Estados Unidos pela primeira vez
Nunca pensei em viajar para os Estados Unidos, os meus projetos de viagem internacional sempre foram o velho mundo. O sonho era Paris, na França. Estudei Francês por quatro anos e o objetivo era conhecer a Europa quando me aposentasse. A partir de 2015 eu poderia dar entrada na aposentadoria, mas não solicitei, mas para minha surpresa em 2015 minha filha mais velha decidiu participar do Intercâmbio Internacional Au Pair. Ela foi contratada para trabalhar em Nova York – EUA, ficou por aproximadamente um mês e depois foi trabalhar com uma família na cidade de Chersterfield, no Michigan. Minha menina estava tão distante e tão feliz. Em setembro de 2015 ela esteve no Brasil para matar as saudades e me convidou para passar o Natal com ela nos Estados Unidos. Que loucura! Precisei correr para fazer o passaporte e o visto americano.
O Passaporte eu providenciei, preenchendo o formulário no site da Polícia Federal e o visto a minha filha fez todo o preenchimento para mim, pois era tudo em inglês e como eu não sabia quase nada do idioma ela me ajudou. Passaporte em mãos, entrevista agendada no Consulado Americano e fui para São Paulo fazer a biometria e a entrevista. A biometria foi na quinta-feira e a entrevista na sexta-feira, em novembro de 2015. A biometria e foto foi bem tranquila somente foi preciso paciência pois naquele ano as filas eram imensas. No dia seguinte cedo fui para o Consulado Americano e para minha surpresa, apesar de chegar cedo a fila estava dando volta na quadra. Após muito tempo de espera cheguei na janelinha e eu que tinha uma pasta cheia de evidências e comprovações de trabalho, residência, família fui surpreendida com a solicitação de confirmar onde eu trabalhava, minha função, há quanto tempo e após minhas confirmações, não precisei mostrar nenhum comprovante e recebi um “boa viagem” e “seu passaporte será devolvido dentro de 10 dias para sua residência”.
10 dias depois lá chegou meu passaporte com o visto e tudo estava certo e em 32 dias eu estaria embarcando para essa aventuras. Me permita abrir um parêntese quando eu disse que não sabia inglês era exatamente isso, não conseguia juntar 3 palavras para formular uma frase, assim quando o visto chegou o desespero tomou conta de mim… eu vou ter que embarcar num avião, viajar por horas, entrar num país que eu não conheço e pra piorar não falava o idioma. Como vou falar com a imigração? Se eles me fizerem alguma pergunta? Literalmente eu estava com muito medo, mas como sempre digo: vou com medo mesmo!
E o dia 18 de dezembro de 2015 chegou! Com o coração na mão lá fui eu para o Aeroporto. Um casal de amigos me acompanhou Josiane e Nairon o voo era pela manhã às 9:45 h era um voo que saía de Curitiba, passava por Porto Alegre e dali partia para Miami. Quando fui fazer o check-in, os perrengues começaram. A atendente me avisou que o voo ainda não tinha previsão de chegada no aeroporto pois por problemas na aeronave em Miami o voo atrasaria e eu perderia minha conexão de Miami para Detroit, assim após muitas conversas decidiram me enviar para Guarulhos onde eu conseguiria pegar um voo às 10 horas que me levaria para Miami, mas eu precisava embarcar imediatamente num voo da LATAM para conseguir chegar a tempo, porém em São Paulo eu ainda precisaria fazer um check-in na American Airlines. Precisei reorganizar minha cabeça em segundos, pois eu iria entrar num avião em Curitiba e descer em Miami e agora eu precisava ir pra Guarulhos fazer novo check-in e embarcar para Miami. Resolvi tudo rápido, corri para o embarque, nem consegui me despedir dos amigos e fui, com medo, mas fui rumo ao desconhecido. Como sempre viajei utilizando o aeroporto de Guarulhos estava tranquila, mas minha surpresa é que eu precisava ir a um tal de terminal 3 que fala sério, naquele tempo era longe demais e eu não fazia a menor ideia de como chegar nesse terminal, me disseram que havia um ônibus, mas como eu não sabia onde pegar o abençoado fui a pé. O aeroporto estava em obras e por isso precisei andar e andar e andar muito para chegar lá no check-in, para ter ideia chegou um momento que precisei parar pois tive câimbras de tanto andar. Check-in realizado nova caminhada para chegar ao portão de embarque. Tudo em Guarulhos era muito longe para mim. Depois de 8 horas e 12 minutos de viagem entre Guarulhos e Miami, cheguei e agora perguntei pra Geovanna ela me disse segue o pessoal que todos irão para a imigração. Lá fui eu com a minha malinha de mão rumo à imigração. Ali meu coração disparou. Vários voos chegaram ao mesmo tempo então a fila era imensa, mais uma fila e bora esperar. Quando chegou minha vez entreguei meu passaporte para o agente de imigração e ele começou a fazer várias perguntas e eu sem entender finalmente disse: Sorry, I don’t speak english!, ao que ele prontamente me disse; Spanish? Já pensei, vou me enrolar e respondi: I’m from Brasil, I speak Portuguese!, daí pensei, agora lascou. O agente disse: “Wait Please.” fez uma ligação e logo chegou uma senhora falando em portunhol o que já ajudou bastante. O agente da imigração queria saber onde eu iria ficar hospedada. Com tranquilidade respondi que iria visitar minha filha por 22 dias e também me perguntou qual a data do meu retorno ao Brasil, Confesso que diante dessa situação fiquei um pouco nervosa, mas percebi que o agente da imigração tentou me entender e me ajudar para poder ser liberada. Depois disso me desejou boa estadia. Agradeci e fui buscar minhas malas para passar pela vigilância sanitária americana. Despachei as malas novamente numa esteira a caminho do próximo voo.
Já estava bem tranquila agora e aí veio o segundo desafio. O aeroporto de Miami é um dos Hub da American Airlines e está entre os 15 maiores aeroportos dos Estados Unidos. Para a minha falta de experiência com aeroporto desse tamanho eu precisava sair da parte do desembarque internacional e chegar no embarque nacional para o próximo voo para Detroit. Não tinha a menor ideia de como chegar lá só me informaram que era longe e que era necessário encontrar o saguão D e subir até as estações de Skytrain para chegar ao meu portão de embarque que ficava na terceira estação do Skytrain. Para me ajudar a sinalização do aeroporto é muito boa e fui pedindo ajuda no caminho e consegui encontrar, pois em Miami há muito brasileiros trabalhando no aeroporto e muitos hispanos o que facilitou bastante a comunicação.
Terminal encontrado teria quatro horas de espera até o meu voo e a fome estava me pegando, então pensei, pensei e pensei, cheguei numa cafeteria e fiquei parada lendo o cardápio para ver o que eu poderia pedir com esse meu Inglês zero. Ensaiei umas dez vezes e cheguei no caixa e pedi. Please one cup fruits and a zero coke. Paguei, peguei a xícara com frutas e a coca zero e fui comer numa mesinha. Agora ficou perfeito. Me alimentei, aguardei o horário do meu voo, fiquei no portão de embarque até o horário de partida para evitar contratempos. Detroit aí vamos nós!
Cheguei em Detroit-MI próximo à meia noite e para minha surpresa, na sala de pegar as bagagens estava minha filha que abracei chorando e meu, naquele momento, futuro genro com um lindo buquê de rosas cor-de-rosa que me recebeu de forma carinhosa e gentil. Quando chegamos no apartamento do Andrew tinha placas de boas vindas e um Kit de sobrevivência para o frio que eu iria enfrentar, eles pensaram em tudo!
Foram 22 dias de muitas aventuras, novidades e diversão. Nessa primeira vez conheci apenas a cidade de Fort Wayne – Indiana e a cidade de Ann Arbor – Michigan onde fica a Universidade do Michigan.









Fazendo quarentena no México em 2020
Em maio 2020 com o início da COVID-19 pelo mundo, no Dia das Mães, recebi de presente da minha filha a passagem ida e volta para vir para os Estados Unidos no primeiro aniversário da minha neta. Em junho de 2020, minha filha e sua família voltaram para os Estados Unidos, para morar próximo a Atlanta, na Geórgia, eles fizeram a mudança em plena pandemia e nem imaginávamos, no Dia das Mães que as fronteiras seriam fechadas no final daquele mês.
Com as passagens em mãos aguardando a reabertura da fronteira, já estávamos no mês de agosto de 2020 e nada. Ficamos sabendo que seria possível ir aos Estados Unidos desde que fizesse 15 dias de quarentena no México. Minha filha me ligou e perguntou se eu ficaria sozinha por 15 dias no México. Como sou uma pessoa muito ajuizada, não pensei nem um minuto e respondi; “vou! Se puder ficar na praia eu prefiro.” Começamos a pesquisar e minha filha conseguiu uma passagem para Cancún/MX, precisava estar pronta para embarcar em menos de 10 dias. Tentamos mudar a passagem que havia sido adquirida em maio de 2020, mas não era possível, pois só poderia ser reagendada para o mesmo destino e deveria fazer isso até 31 de dezembro de 2021. Assim, minha filha comprou a passagem para Cancún – México, para o dia 08 de setembro de 2020. Que loucura, correr para organizar tudo e viajar em tão pouco tempo foi bem cansativo, mas valeu muito a pena!
Chegou o dia do embarque e na correria toda que precedeu a viagem nem tive tempo para pensar o que estava por vir. Confesso que estava um pouco tranquila porque sabia que o idioma não seria um grande problema uma vez que Português e Espanhol são próximos. Então pensei “Cancún, aí vou eu!”
Meu voo tinha conexão em Guarulhos/SP e na Cidad del México – MX onde passaria pela imigração. No voo entre Guarulhos e Ciudad del México, por conta do COVID-19, os passageiros estavam acomodados com o espaço de um assento entre os passageiros. Ao meu lado tinha uma mocinha, com um rostinho que parecia ser muito novinha. Depois de algumas horas acabei puxando conversa com minha colega de assento. Alana Benz era o nome dela, fiquei impressionada com a determinação dessa menina, ela ficaria na Ciudad del México fazendo quarentena, o que de imediato achei uma pena, pois como a conversa estava tão boa seria ótimo se estivéssemos na mesma cidade. Alana era Engenheira Civil e iria para os Estados Unidos em busca de desenvolver um projeto na sua área. Nem vi o tempo passar e olha que foram 9:35 h lamentei com Alana, ao descer no avião, por não ficarmos na mesma cidade, o que Alana prontamente me disse que por eu ser bem comunicativa seria muito fácil conseguir alguém no próximo voo para me fazer companhia em Cancún. Somos amigas até hoje, no momento somente pelo Instagram, nos falamos com frequência e sempre curtimos as novidades online. Alana está morando na Flórida e desenvolvendo seus projetos e eu desejo que ela tenha toda sorte do mundo por ser essa garota incrível! Nos despedimos, Alana me desejou boa viagem e seguimos para a Imigração no México onde cheguei super tranquila. Encarei como de costume a fila. O México não exige visto para brasileiro então com o passaporte em mãos, me apresentei ao Agente da imigração. Foi aí que os problemas começaram, diferente da imigração americana o agente da imigração mexicana começou falar tão rápido, ríspido e com ar pouco amistoso, isso me desestabilizou pois eu não estava entendendo o que ele me dizia (acho que criei um bloqueio) ele queria saber quantos dias eu ficaria no México, respondi que seriam quinze dias, depois ele queria ver a reserva do hotel (eu havia reservado uma noite em um hotel próximo ao aeroporto, pois cheguei muito tarde e os outros 14 dias seriam num Airbnb que consegui através de uma amiga). Assim apresentei para ele a minha reserva do hotel de imediato ele me disse se eu ficaria 15 dias como apenas 1 dia de hotel? Eu logo disse que os outros dias seriam num Airbnb e logo fui intimada a apresentar a reserva e o agente já foi me dizendo que não iria me autorizar a entrar no seu país. Toda a minha reserva no Airbnb foi através do Whatsapp apenas o pagamento foi no aplicativo do Airbnb, então precisei mostrar a conversa no Whatsapp e o e-mail de confirmação do aplicativo. E ele me questionou se eu iria para os Estados Unidos depois, eu disse que sim e ele me pediu a passagem de saída do México, eu ainda não tinha essa passagem comprada daí ele ficou bem desconfiado e precisei ser bem convincente, então expliquei que até a data da minha viagem a passagem estava muito cara e por isso estava esperando conseguir um preço melhor, falei que estava indo aos Estados Unidos para o primeiro aniversário da minha netinha e que não iria permanecer no México. Ele me questionou se eu garantia que sairia em 15 dias e após todo esse interrogatório me autorizou ficar 180 dias no México.
Após sair da imigração me dei conta de como foi cansativo essa imigração. Saí dalí em busca de encontrar o portão de embarque para a conexão pra Cancún. Na saída do avião conversei com a Vera, uma empresária que estava indo para os Estados Unidos porque a filha iria ter um bebê, como ela estava indo para Cancún também combinamos de trocarmos contato para nos encontrar e fazer algum passeio juntas. Assim, quando cheguei no Portão de embarque vi a Vera conversando com uma moça da idade das minhas filhas, quando cheguei perto elas estavam, também combinando de se encontrarem para fazer passeios por Cancún, acabei entrando na conversa e combinamos montar um grupo no whatsapp para combinar os passeios. Trocados os números de telefone seguimos para o embarque. Chegamos em Cancún e acabamos nos encontrando na saída do aeroporto e ali sim, que confusão. O hotel que eu havia reservado iria me buscar no aeroporto, esperei por um tempo e como não chegou liguei para o hotel e para minha surpresa fui informada que eles buscavam no aeroporto somente até as 21 horas e agora só me restava pegar um Uber. Foi aí que eu descobri, ao abrir o aplicativo, que em Cancún não tem Uber e o turista acaba ficando refém dos taxistas locais que pensam que todos que chegam lá estão cheios de dólares, assim o taxi que me deixou no hotel que estava há exatos 2 quilômetros do aeroporto custou a bagatela de US$ 20,00 isso mesmo vinte dólares! Esse foi meu primeiro choque de realidade. Cheguei no hotel e o melhor era descansar pois estava exausta.
No dia seguinte já no apartamento no Airbnb, eu já havia me instalado, já tinha ido ao mercado e já estava começando a fazer o almoço então resolvi fazer o grupo no Whatsapp com as outras duas garotas a Vera e a Eloisa Andretta. As duas responderam a Vera disse que estava no hotel com suspeita de COVID, pois o filho testou positivo no Brasil e os dois trabalhavam juntos. A Eloisa já foi me perguntando se podia almoçar comigo e eu respondi que sim, passei o endereço e descobrimos que ela estava hospedada há 400 metros de onde eu estava. Muito perto! A Eloisa veio e daí combinamos de almoçar e jantar juntas todos os dias e sair para passear por Cancún nas tardes, assim pudemos dividir as despesas além sermos companhia uma para a outra.
Resumindo, juntas conhecemos Isla Mujeres, Tulum, Cobá e Playa del Carmen. Alugamos um carro, Nadamos com Golfinhos, visitamos Zona Arqueológica de Tulum e Zona arqueológica de Cobá, andamos muito pelas praias em Cancún e pela cidade de Cancún também.
Atualmente, Eloisa está morando em Boca Raton, na Flórida com seu esposo. Continuamos a nos comunicar e conversamos quando possível. Sou grata por tudo que vivemos no México e por ter a felicidade de conhecer essa mulher determinada, amiga, companheira, parceira e cheia de iniciativa! Que a vida preserve a nossa amizade!















Não permita que o medo ou insegurança impeça de conhecer novos lugares, apesar dos perrengues dessas viagens não mudaria nada, pois tudo serviu de experiência para novos desafios. Quando me despedi da Eloisa no aeroporto em Cancún falei que ela foi um anjo que DEUS colocou no meu caminho para não passar esse período sozinha num país estrangeiro e isso é a melhor parte da viagem, pois é uma grande oportunidade de conhecer novos lugares, novas pessoas e novas culturas. Um conselho é se organize antes, junte suas comprovações, tenha em mão passagens, seguro, passaporte e demais documentos em uma pasta dentro da sua mochila ou bolsa de mão e aproveite a viagem!


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